Violência não é só bater


12 de abr de 2018



 Violência não é só bater



“Eu sou o que sou porque meus pais me bateram!!! Então me explica: Por que  há tantas pessoas no mundo que apanharão e não tem educação?”
ou
“Calma!! não fizeram nada com ele/ela, “SÓ” brigaram porque a lição estava errada!!! Então me explica: O que há de errado em errar? e, Como consertar um erro brigando?    
Christiane Junqueira    

Vivemos uma cultura tão violenta, que é comum ouvir a fala da primeira frase, em que pais ou responsáveis, justificam como método educativo/corretivo o ato de bater, assim como também é muito comum a segunda frase em que as pessoas se equivocam achando que bater é a única forma de violência, desconhecendo que há outras formas tão prejudiciais quanto.  

 Violência não é só bater

VIOLÊNCIA FÍSICA

Ato de agressão física que se traduz em marcas visíveis ou não, aonde o uso da força física é praticado como meio de educar. Muitos pais ou responsáveis batem em seus filhos porque entendem ser um bom “corretivo”. Acreditam, como explicado na primeira frase, que o fato de terem sido educados de maneira agressiva os tornaram o que são, e assim educam, esquecendo-se das dores que tais atitudes lhes trouxeram e ainda carregam consigo.

VIOLÊNCIA FÍSICA – TORTURA

Atos intencionalmente praticados para causar lesões físicas, ou mentais, ou de ambas as naturezas com finalidade de obter determinada vantagem, informação, aplicar castigo, entre outros. Acreditem: existem pais que torturam seus filhos simplesmente porque querem que eles comam e eles não estão com fome. Recentemente, no segundo semestre de 2017, os telejornais noticiaram a morte de uma criança de 5 anos porque não queria comer, ela apanhou tanto que não resistiu aos ferimentos. Triste realidade.    
Porém, até este momento, estamos falando das “famosas”, porém tristes e dolorosas agressões físicas, que começam com palmadas e em muitos casos vão aumento chegando a ser fatais. Agressões estas, tidas para muitos como a única forma de violência.     

VAMOS CONHECER E ENTENDER OUTRAS FORMAS DE VIOLÊNCIA 


VIOLÊNCIA - PSICOLÓGICA

Relação de poder com abuso da autoridade sobre o outro de forma inadequada e com excesso ou descaso. Trata-se de uma violência que humilha, rejeita, fere moralmente a criança ou adolescente. Envolve a indiferença a rejeição afetiva. Algumas frases são muito conhecidas, como: “Você é burro!”, “Você é um inferno na minha vida!”, “Eu ainda vou te matar!”, assim como colocar a criança de castigo em um quarto escuro ou amedrontá-la de outras formas. Estas frases e atitudes causam danos que prejudicam o desenvolvimento psicológico e social da criança.

VIOLÊNCIA - GRITO

Assim como a violência psicológica, gritos também estabelece com a criança ou adolescente uma relação negativa de poder, aonde o medo deixa o individuo acuado, sem ação, causando desmotivação, tristeza, retraimento e comportamentos depressivos.

 VIOLÊNCIA - NEGLIGÊNCIA/ABANDONO

Caracteriza-se pelo descaso, abandono, descuido, descompromisso desamparo e desresponsabilização dos pais ou responsáveis com o que é essencial ao desenvolvimento sadio dos filhos, que são: descuido com a alimentação, saúde, higiene, vida escolar, vestuário entre outros e não estão relacionado às dificuldades socioeconômicas dos responsáveis pela criança ou pelo adolescente.

VIOLÊNCIA - DISCRIMINAÇÃO

Distinção, segregação, prejuízo ou tratamento diferenciado de alguém por causa de características pessoais, raça/etnia, gênero, religião, idade, origem social, entre outras. Vive-se esse comportamento cotidianamente, mas muitos ainda não enxergam como uma forma de violência.  

VIOLÊNCIA – TRABALHO INFANTIL

Para falar de trabalho infantil, primeiramente vou me atentar as questões legais, como forma de já esclarecer o tema, em que no Brasil segue da seguinte forma:
Ø  não é permitido sob qualquer condição para crianças e adolescentes até 14 anos;
Ø  para adolescentes entre 14 e 16 só na condição de aprendizes;
dos cuidados domésticos ou com dos 16 aos 18 anos, as atividades são permitidas, desde que não aconteçam das 22h às 5h e não sejam insalubres ou perigosas.

Porém, é importante lembrar que crianças ou adolescentes submetidos a responsabilidade dos cuidados domésticos ou com irmãos, ou seja, quando os pais ou responsáveis transferem a responsabilidade que lhes cabe com a casa e com os filhos a um dos filhos, que de maneira geral é o mais velho, estão cometendo ato de violência com os mesmo. os filhos podem e devem ajudar nas tarefas de casa, isso é até mesmo importante para seu desenvolvimento, porém ajudar, cuidar da coisas pessoais, é diferente de assumir tal responsabilidade.    

Observação: o texto na integra é da minha autoria. Foi escrito baseado na minha experiência trabalhando com Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Doméstica além de curso realizado sobre a temática. Porém, gostaria de deixar aqui duas referências muito importantes para pesquisa e para eventuais dúvidas que são:

Ø  ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente.
Ø  Maria Amélia de Azevedo – grande estudiosa e pesquisadora sobre o tema.






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