Depressão Infantil: Como identificar


18 de out de 2017


Depressão Infantil : Como Identificar


Depressão Infantil : Como Identificar


Eu sou como o sol, ilumino e aqueço corações, mas também sou como a lua, que mesmo quando todos dormem, continua brilhando, eu sou criança, sou vida, sou alegria, luz e esperança, mas muitas vezes eu sinto medo e esse medo pode apagar a luz existe em mim. Me de seu colo, me abrace, olhe para mim, algumas vezes eu preciso muito mais do que brincar.  
Christiane Junqueira
 
“- Ser criança é maravilhoso!”
“- Haaa que saudades de quando eu era criança!
Quem nunca falou ou ouviu uma dessas frases?
Quem é que não acha que ser criança são só flores?

Pois é, parece ser tudo maravilhoso não é mesmo? Mas ao contrário do que muitos acreditam, criança também sofre de depressão. A depressão que sempre pareceu um mal exclusivo dos adultos hoje em dia afeta cerca de 2% das crianças e 5% dos adolescentes do mundo.

É importante entender que ser criança, claro é maravilhoso, mas não é fácil. O adulto olha para o “ser criança” com os seu “olhar de adulto, do mundo adulto”, e através deste olhar sobre mundos completamente diferentes, aonde o mundo infantil é visto pelo adulto apenas como brincadeira, tudo parece ser fácil, mas não é, e para que o adulto compreenda isso, é importante antes compreender que o indivíduo desde que nasce passa por diversas fases até o fim da sua vida, e cada uma delas, em cada idade distinta, tem seus desafios, aprendizados, conflitos, dúvidas, ansiedades, medos entre tantos outros sentimentos que envolvem cada momento, por isso, da mesma forma que um adulto pode ter depressão por problemas profissionais, por exemplo, uma criança pode ter depressão por dificuldades de aprendizagem, por exemplo.

Mas, pera aí:

-       Depressão por problemas de aprendizagem? Como assim? Mas dificuldades de aprendizagem tem solução!

Claro que tem solução, assim como os problemas profissionais, mas cada um lida com os problemas de uma forma. Pensando nisso, vamos fazer uma análise (e vou dar ênfase a ela):

“Se os adultos que já tem maturidade para lidar com frustrações sofrem, e muitas vezes quando buscam por ajuda profissional é porque já estão em depressão, imagina uma criança diante de conflitos e frustrações, atreladas a sua inocência e imaturidade para lidar com eles, ter ainda que esperar pelo comportamento dos pais sobre o problema, “como os mesmos vão agir”, “o que vão pensar”, “qual atitude irão tomar”, como eles não sofrem?”
Tudo isso pode levar a criança a um quadro de depressão infantil sim, pois quando a criança se encontra sob pressão extrema e não possui o suporte necessário dos pais e educadores, a depressão mostra sua cara, seja adulto ou criança.

Para se ter uma idéia, a depressão infantil, é a doença psicológica que atinge cerca de 8 milhões de crianças no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de sua tratativa dentro do DSM-5 em Transtornos Depressivos.

Por isso, os primeiros sinais que devem servir de alerta para os pais são mudanças  no comportamento, entendendo que os motivos que podem desencadear a depressão infantil são difíceis de serem identificados e precisam ser investigados por um profissional da área da saúde.

Mas porque são difíceis de serem identificados? Os sintomas podem ser facilmente confundidos com malcriação, pirraça ou birra, mau humor, tristeza e agressividade e na maioria das vezes essa confusão acontece pelo comportamento dos pais, exposto no início do texto, em achar que a vida da criança é mera brincadeira, então no primeiro sinal de mudança de comportamento, vários motivos são levados em conta, mas o motivo de que um quadro de sofrimento emocional pode estar acometendo essa criança sempre é levado em consideração mais tardiamente e consequentemente a procura por um profissional para uma avaliação, também é tardia, fazendo com que o quadro de sofrimento evolua para um quadro de depressão.

Dica: o que diferencia a depressão das tristezas cotidianas e até mesmo dos comportamentos inadequados, é a intensidade, a persistência e as mudanças em hábitos normais das atividades da criança. 
Por isso, ao primeiro sinal de depressão, os pais devem acolher a criança e encaminhá-la a um profissional o mais rápido possível. Na maioria das vezes, o apoio da família e a psicoterapia são suficientes. Somente a partir dos 6 anos, e em raros casos, é necessário uma intervenção medicamentosa. A depressão infantil desencadeia várias outras doenças tais como: anorexia, bulimia, etc.

Sintomas mais comuns da Depressão Infantil


ü  Tristeza sem motivo aparente
ü  Recusa em se alimentar
ü  Baixo rendimento escolar 
ü  Incontinência urinária e fecal

ü  Sentimentos de desesperança. 
ü  Dificuldade de concentração, memória ou raciocínio. 
ü  Angústia. 
ü  Pessimismo. 
ü  Agressividade. 
ü  Tronco arqueado. 
ü  Falta de prazer em executar atividades, inclusive brincar 
ü  Isolamento, não se enturma nem com crianças
ü  Apatia. 
ü  Insônia ou sono excessivo que não satisfaz 
ü  Desatenção em tudo que tenta fazer. 
ü  Queixas de dores. 
ü  Baixa auto-estima e sentimento de inferioridade 
ü  Idéia de suicídio ou pensamento de tragédias ou morte. 
ü  Sensação freqüente de cansaço ou perda de energia 
ü  Sentimentos de culpa. 

ü  Dificuldade de se afastar da mãe
São alguns dos sintomas e que podem ser percebidos pelos pais e professores.
Vários motivos podem desencadear os sintomas citados, porem vale a pena atentar para as situação traumática, tais como: separação dos pais, mudança de colégio, morte de uma pessoa querida ou animal de estimação.
Um fato importante é que os sintomas apresentados podem aparecer em qualquer criança e não necessariamente ser depressão infantil. Por isso a necessidade de, percebendo que o sintoma persiste, não despreza-lo e procurar por ajuda profissional especializada.

Quais providências devem ser tomadas, quando identificada a depressão infantil?


Ao obter o diagnóstico o mesmo deve ser compartilhado com a escola, assim, escola e família, trabalham juntas para ajudar a criança a superar este problema, além de manter um diálogo aberto com a criança. Lembrando que: ignorar a doença ou não falar sobre ela, só intensificará a depressão, que nessa fase pode comprometer a formação do jovem.
Neste momento é muito importante que haja uma mudança na rotina da criança a fim de fazê-la reconquistar a sua autoconfiança, assim como manter uma boa alimentação, praticar atividades físicas e estimular a interação social, são medidas importantes para trazer novamente a qualidade de vida.

Principais mudanças observadas de acordo com a faixa etária


ü  Bebês entre 6 meses a 2 anos de idade se caracteriza pela falta de apetite, estatura pequena e diferentes horários para dormir
ü  Crianças de  2 a 6 anos, os principais sintomas são aparência cansada, irritabilidade e falta de vontade de fazer atividades que antes eram prazerosas para ela.
ü  Entre crianças de 6 anos a jovens 12 anos, os sintomas são bem parecidos, mas sofrem uma intensificação por conta da sensação de inferioridade, notas baixas no colégio, além de sintomas físicos, como dores de cabeça e no estômago.

Bibliografia: 

  • ASSUMPÇÃO, F. B. Jr. Depressão na infânciaPediatria Moderna. 28 (4), p. 323 – 328, 1992. 
  • BANDIN, J. M.; et al. Depressão em crianças: características demográficas e sintomatologia. Jornal Brasileiro de Psiquiatria. 44 (1), p. 27 – 32, 1995. 
  • CHESS, S. e HASSIBI, M. Princípios e práticas da psiquiatria infantil .Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.
  • DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5. Ed. – Porto Alegre : Artmed, 2014.   

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