Pais devem falar a mesma linguagem


29 de set de 2017




Pais devem falar a mesma linguagem


Pais devem falar a mesma linguagem



Educar os filhos não é tarefa simples. Diria que é um dos maiores desafios de vida. Ser responsável pela formação de um ser humano é para “os fortes”. Nesta arte, é necessário reconhecer as características peculiares, moldar os excessos, sem ser altamente invasivo a ponto de extirpar qualidades que poderiam ser bem desenvolvidas. Saber olhar a criança como única e alinhar a linguagem dos pais na educação são segredos para a conduta.

Já que não existe fórmula pronta para a educação das crianças, podemos buscar nos estudos especializados informações para o processo. Pai e mãe, ou como quer que seja a composição familiar, precisam estabelecer os mesmos direcionamentos para orientação. Mesmo que discordam acerca do ponto de vista, já que são oriundos de diferentes famílias – com seus hábitos e valores -, é fundamental chegar a um consenso.


Assim como o início do matrimônio, por exemplo, no qual a esposa já não deixa o leitinho quente no criado-mudo ao amanhecer, assim como fazia a mãe de seu marido, ter filhos é sinônimo de mudança na rotina, nas decisões familiares e surgimento de impasses, que podem ser bem administrados. A base é o respeito. Aliás, são dois seres – pai e mãe – tentando empregar na educação e criação dos filhos aquilo que trouxeram em sua bagagem emocional.

Dialogar sobre as decisões que se referem aos filhos é imprescindível. Nenhum deve tirar a autoridade do outro. Se o pai nega algo e a mãe permite, logo a criança irá se apoderar deste recurso para conquistar o que quer. E a prática pode se tornar corriqueira, ratificando o “lobo-mau” da história, ou mesmo, fomentando na criança a tomada de suas próprias decisões já que nem pai nem mãe sabem qual é a melhor.

A necessidade de comunicação se intensifica se na criação existe a participação de uma terceira ou mais pessoas, principalmente os avós. A criança deve saber qual o papel de cada um na sua vida e se perde quando cada um dos envolvidos tem uma solução para seus anseios. Os avós têm “fama” de permitirem tudo. 

Por um lado eles estão certos, já adquiriram experiência suficiente para saber o que realmente vale a pena. São detentores da maturidade, carregam no corpo e na alma os pesos e as levezas de suas condutas. Todavia, agora, é hora de se posicionarem como avós e não pais dos netos. Chegou o momento de seus filhos vivenciarem este processo, com erros e acertos, ainda que sejam orientados.

Participar da vida escolar do filho, da mesma forma, é um meio de se inteirar de seu comportamento neste ambiente onde ele passa uma boa parte da infância e adolescência. Os pais participativos inibem a violência, a indisciplina, bem como contribuem para o desenvolvimento nos estudos. Não terceirize à unidade de ensino a criação e educação de seus filhos. Isso é papel dos pais. Este comprometimento, associado ao diálogo sobre a rotina escolar, o relacionamento com professores e alunos, traz segurança à criança.

E todo planejamento dos pais se faz necessário. “Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter, e nosso caráter torna-se nosso destino” (“O Monge e o Executivo”, baseado na obra de James C. Hunter). Se recebo um mesmo direcionamento no ambiente onde me sinto seguro, a tendência é que o coloque em prática.

Todo ser em desenvolvimento precisa e está à espera de limites. Quer ouvir o que pode ou não fazer, o que é certo e errado. A decisão do casal ou dos envolvidos na criação deve ser a mesma, ainda que para isso haja diálogo para se alcançar a concordância. Alguns bate-papos podem ser na presença da criança, também para que ela entenda a existência de pontos de vista diferenciados e a importância do debate para alcançar o consentimento. Este comportamento facilitará a incorporação dos valores morais e éticos em seu caráter. Quanto mais alinhado está o ponteiro da bússola, mas fácil será encontrar o norte.

Leandro Nigre é pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe do jornal O Imparcial, e idealizador do projeto Papai Educa www.papaieduca.com.br. Contato: papaieduca@gmail.com


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