Autismo - Diagnosticos e tratamentos


13 de set de 2017



Autismo ou Transtorno do Espectro Autista


Eu sei... meu mundo é igual ao seu, porém você deve saber que eu o enxergo diferente de você. O mundo me assusta, as pessoas me assustam, os acontecimentos me assustam. Preciso para isso, da sua compreensão, do seu carinho e do seu amor!
Christiane Junqueira




Seguindo com o tema sobre autismo, que como já foi visto anteriormente, trata-se de uma síndrome(*) definida por um grupo de desordens complexas do desenvolvimento de cérebro, a qual trata-se de uma condição permanente, aonde a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo, neste segundo momento falaremos sobre o diagnóstico e o tratamento.


Diagnóstico de autismo

Por tratar-se de uma síndrome(*) que afeta diretamente o comportamento, não existem testes laboratoriais ou de neuro-imagem específicos para diagnosticar o autismo.

A criança começa a apresentar comportamentos característicos nos primeiros meses de vida, uma vez que não mantêm contato visual efetivo e não olham quando você chama. Por volta dos 12 meses, elas não apontam com o dedinho e o interesse é maior por objetos do que por pessoas. Quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, bater palmas, por exemplo, ao contrário da maioria das crianças, elas podem não demonstrar interesse.

Através da avaliação clínica, é possível observar indícios bastante fortes de autismo por volta dos 18 meses mas raramente o diagnóstico é conclusivo antes dos 24 meses. A idade média mais frequente é superior aos 30 meses.

A AMA – Associação de Amigos do Autista, alerta que há diferentes graus de autismo e que existem instituições, como a própria AMA, especializadas com intervenções adequadas a cada tipo ou grau de comprometimento e no caso da AMA, as intervenções se estendem as crianças com atraso no desenvolvimento relacionados ao autismo.        

Por tanto, como já mencionado que se trata de uma síndrome com prejuízos comportamentais, é través de avaliações clínicas e conversa com os pais que começa a se estabelecer o diagnóstico. Temos dois referenciais para diagnostico o CID10 – Código Internacional de Doenças e o DSM-V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o usaremos aqui como referencia.


A tabela a seguir mostra os níveis de gravidade do autismo e suas classificações:





Tratamento e Intervenções
Neste ponto, os pais ou cuidadores, muito já sabem sobre o autismo. Já passaram por várias etapas, entre elas a angústia do diagnóstico, por isso estes pais ou cuidadores também devem receber tratamento psicológico para que aprendam a lidar primeiro com suas angústias e frustrações para assim poder lidar com o autista de uma forma saudável para todos.
Quanto ao autista, é muito importante que uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um programa de intervenção particular as necessidades de cada indivíduo. Dentre eles estão: psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores físicos.
A AMA- Associação de Amigos do Autista, aponta alguns métodos de intervenção mais conhecidos e muito utilizados para promover o desenvolvimento da pessoa com autismo e que possuem comprovação científica de eficácia. São eles:

TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped Children): é um programa estruturado que combina diferentes materiais visuais para organizar o ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a tornar o ambiente mais compreensível, esse método visa à independência e o aprendizado.
PECS (Picture Exchange Communication System) é um método de comunicação alternativa através de troca de figuras, é uma ferramenta valiosa tanto na vida das pessoas com autismo que não desenvolvem a linguagem falada quanto na vida daquelas que apresentam dificuldades ou limitações na fala.
ABA (Applied Behavior Analysis) ou seja, analise comportamental aplicada que se embasa na aplicação dos princípios fundamentais da teoria do aprendizado baseado no condicionamento operante e reforçadores para incrementar comportamentos socialmente significativos, reduzir comportamentos indesejáveis e desenvolver habilidades. Há várias técnicas e estratégias de ensino e tratamento comportamentais associados a analise do compormentamento aplicada que tem se mostrado útil no contexto da intervenção incluindo (a) tentativas discretas, (b) análise de tarefas, (d) ensino incidental, (e) análise funcional
Medicações
 O uso medicamento em qualquer cenário, não apenas o autismo, é um assunto delicado. Mas porque é delicado? Porque medicação não trata alterações de comportamento, digamos aqui ela barra comportamentos considerados inadequados e/ou prejudiciais ao indivíduo e ao convívio social. O que trata são as intervenções mencionadas acima. Diante disso é sempre importante entender o que se espera da medicação bem como seus efeitos colaterais.
Quanto ao autismo não existe medicação específica, porém o medicamento é indicado quando existe alguma comorbidade neurológica e/ou psiquiátrica associada e quando os sintomas interferem no cotidiano.
 (*) síndrome – s.f. (gr. Syndrome) Conjunto dos sintomas que caracterizam uma doença(**)
(**) doença – s.f. (lat. Dolentia, dor). Alteração da saúde que comporta um conjunto de caracteres definidos como causa, sinais, sintomas e evolução; mal, moléstia enfermidade.
Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa – Larousse Cultural

Referência Bibliográfica:

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais : DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.] ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli ... [at al.]. – 5.ed. – Porto Alegre : Artmed, 2014.

Mello, Ana Maria S. Ros de, Autismo: guia prático. 5 ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE 2007. 104p.: il.

AMA – Associação de Amigos do Autista


Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP

Nenhum comentário:

Postar um comentário