Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade


16 de ago de 2017




TDAH – como funciona a mente e o comportamento de crianças com esse diagnóstico.

Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade


Minha mente não descansa, meu corpo também não. Saio de cena antes que você termine de falar e abandono o papel antes de terminar de ler o que você escreveu. Caio do chão porque estou assistindo televisão e meu corpo não consegue ficar quieto no sofá. Olho fixamente para alguém, vejo seus lábios se mexendo, mas não consigo ouvir nada, porque minha mente está atenta no mundo ao meu redor!
Christiane Junqueira
Hoje vamos falar sobre o famoso  TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o qual, quem convive com crianças ou jovens diagnosticados com este transtorno, sabe o quanto o tratamento diário requer atenção a mais, entretanto, mesmo com contato diário ou frequente, dúvidas por parte de amigos, pais, familiares e profissionais podem acontecer, então a necessidade de procurar por especialistas para fechar um diagnóstico é indispensável.
Mas antes de explicar o transtorno é importante esclarecer que, embora a desatenção esteja presente entre eles, nem todo TDAH apresenta hiperatividade, ou seja, um indivíduo pode ter déficit de atenção mas não ser hiperativo, de forma que o TDAH apresenta-se de duas formas: o TDAH combinado em que a criança apresenta a hiperatividade e o déficit de atenção e o TDAH desatento, quando a criança apresenta apenas a falta de atenção.
Características
O TDAH é um transtorno neurobiológico que atinge varias partes do cérebro, geralmente causa falta de atenção, desinteresse, inquietude, impulsividade, se constitui por uma excessiva dificuldade de manter o foco em uma atividade que exija esforço mental prolongado(muitas vezes evita de se envolver em atividades com essa característica) afinal, uma vez que o indivíduo não consegue fixar sua atenção, às informações recebidas se perdem, acarretando grande dificuldade para começar e terminar tarefas.

Estudos científicos apontam que a área mais atingida por esse transtorno é a região frontal e suas ligações com o resto do cérebro.
Outra dificuldade é a de rever situações e erros, dificuldade de fazer conclusões, síntese e análise de atitude. As crianças com TDAH tendem a ser mais esquecidas, desorganizadas e perdem-se em tarefas, pois perde rapidamente o foco e facilmente perde o rumo. Mas não é só isso, também tendem a ter:
– Rendimento escolar e rotineiro mais baixo, pela dificuldade em manter o foco na aula;
- Comportamento completamente introspectivo;;
– Déficits cognitivos, com prejuízos de memória, capacidade de organização e interiorização de conceitos e aprendizagens;

- Dificuldade com regras e limites;
- Problemas emocionais diversos e dificuldade de socialização com as demais crianças;
- Fácil distração por estímulos externos;
- Facilidade em perder objetos necessários para as suas tarefas ou atividades;
- Parece não escutar quando alguém lhe dirige a palavra diretamente;
- Dificuldade em iniciar e terminar tarefas;
As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos.

Já a Hiperatividade significa um aumento da atividade motora, deixando a mesma quase constantemente em movimento, como:

- Se remexer ou batucar as mais ou pés ou se contorcer na cadeiras, até mesmo se levantando em situações que se espera que permaneça sentado.
- Correr ou subir nas coisa em situações inapropriadas;
- Frequentemente não consegue brincar calmamente;
- Fala demais;
- Deixa escapar respostas antes da pergunta ser concluída;
- Dificuldade em esperar sua vez;
- Frequentemente interrompe ou se interrompe.
Tratamento adequado
O TDAH começa na infância. A exigência de que vários sintomas estejam presentes antes dos 12 anos de idade exprime a importância de uma apresentação clínica substancial durante a infância.
A criança precisa ser avaliada de maneira global e interdisciplinar para que os profissionais vejam se há outras comorbidades e, assim, propor uma intervenção adequada para o devido tratamento:
- Avaliar a frequência e a intensidade que estes sintomas aparecem, a duração dos mesmos e a interferência que eles causam na vida, ou seja, se acarreta ou não prejuízo no funcionamento da pessoa.

- Avaliar se os sintomas existem desde a infância ou início da adolescência.

- Avaliar se os sintomas não estão sendo provocados por nenhum outro transtorno conhecido.    

Somente após esta cuidadosa análise, é que se pode caracterizar o transtorno, afinal, toda pessoa pode apresentar um ou mais comportamentos similares aos sintomas do TDAH em algum momento da vida, sem necessariamente apresentar um diagnóstico patológico.

Seis (ou mais) dos sintomas apresentados, devem persistir por pelo menos seis meses em um grau que é inconsistente com o nível do desenvolvimento e têm impacto negativo diretamente nas atividades sociais e acadêmicas.

Hoje o TDAH pode ser tratado com a junção dos tratamentos  medicamentosos, tratamentos psicológicos e alternativos (como tratamentos psicomotores, terapia com artes, tratamento desenvolvido com os pais e etc). O tratamento medicamentoso, tem sido alvo de  criticas pelo aumento excessivo do uso da Ritalina, mas nos caso do TDAH ser diagnosticado  entre os especialistas, o medicamento mais indicado para o tratamento ainda é a ritalina, medicação a qual os efeitos negativos geralmente são:

§  Insônia;
§  Perda de apetite;
§  Boca seca;
§  Tremores;
§  Taquicardia;
§  E até mesmo o aumento da ansiedade.

Por isto, tendo em vista a facilidade de um resultado equivocado, diante de uma avaliação precipitada, é preciso e necessário, realizar um Diagnóstico Diferencial, que irá avaliar as queixas da pessoa numa perspectiva mais ampla, investigando não apenas a hipótese de TDAH mas também de quaisquer outras condições que possam estar causando o sofrimento.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA



MANUAL diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 / [American Psychiatric Association; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento... et al.];revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli...[at al.]. – 5. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2014.

Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP.

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