Autismo - Entenda tudo sobre o autismo


30 de ago de 2017





Autismo ou Transtorno do Espectro Autista

Autismo - Entenda tudo sobre o autismo



Eu sei... meu mundo é igual ao seu, porém você deve saber que eu o enxergo diferente de você. O mundo me assusta, as pessoas me assustam, os acontecimentos me assustam. Preciso entende-lo, preciso aprender como viver nesse “seu” mundo através do meu olhar. Preciso para isso, da sua compreensão, do seu carinho e do seu amor!
Christiane Junqueira

Autismo ou Transtorno do Espectro Autista, é uma síndrome(*) definida por um grupo de desordens complexas do desenvolvimento de cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento.

O autismo é uma condição permanente, aonde a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo. Ela é caracterizadas por desvios, que são dificuldades na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.



Esses três desvios, que ao aparecerem juntos caracterizam o autismo, foram chamados por Loma Wing e Judith Gould, em um estudo realizado em 1979, de “Tríade”. A Tríade é responsável por um padrão de comportamento restrito e repetitivo, mas com condições de inteligência que podem variar de uma difidência mental a níveis acima da média, ou seja, alguns poderão levar uma vida relativamente “normal”, enquanto outros poderão precisar de apoio especializado ao longo de toda a vida, porém, assim como qualquer ser humano, o individuo com autismo é perfeitamente capaz de aprender.

Vamos entender melhor essa Tríade:

- Comunicação: dificuldade em utilizar com sentido os meios de comunicação verbal e não verbal, como gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal.

- Socialização: este, podemos chamar de “carro chefe” do autismo, o de maior dificuldade e o mais fácil de gerar falsas interpretações, o qual o individuo tem dificuldade em relacionar-se com os outros, a incapacidade de compartilhar sentimentos, gostos e emoções, além da dificuldade na discriminação de diferentes pessoas.
  
- Imaginação: caracteriza-se por rigidez e inflexibilidade, que se estende às áreas do pensamento, linguagem e comportamento, exemplificado por comportamentos obsessivos e ritualísticos, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos.     

Suas causas são desconhecidas e acredita-se que sua origem esteja em anormalidades em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva e, provavelmente, de origem genética. Além disso, admite-se que possa ser causado por problemas relacionados a fatos ocorridos durante a gestação ou no momento do parto, porém, a já discutida hipótese de uma origem relacionada à frieza ou rejeição materna foi descartada.

 Mas como o autismo se manifesta?   

O que normalmente chama a atenção dos pais, são comportamentos considerados muito fora do esperado, por exemplo: sabemos que algumas crianças são mais quietas que outras, mais tranquilas, porém os pais percebem que a criança é excessivamente calma e sonolenta ou então que chora sem consolo por um longo período de tempo. Queixam-se com frequência que o bebê não gosta do colo e até mesmo rejeita gestos de afeto dos pais.

Ao longo do desenvolvimento, os pais percebem que não se expressam como a  maioria dos bebes, não imitam, não compartilham sentimentos ou sensações, mostram dificuldade em se comunicar, como dar tchau ou cumprimentar as pessoas. Além disso, não procuram o contato olho no olho, e quando acontece é por um curto período de tempo.

Na criança com autismo é comum o aparecimento de estereótipos, que podem ser movimentos repetitivos com as mãos ou com o corpo. Fixar o olhar nas mãos por períodos longos, morder-se, morder roupas ou puxar cabelos

Há também com frequência, a recusa ou seletividade de alimentos e problemas com o sono.

Vale lembrar que essas manifestações são as mais comuns, porém, não são as condições necessárias ou suficientes para o diagnóstico de autismo.

Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger é um transtorno neurobiológico, que pode ser definida como uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta por alterações sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento. Por muitos anos foi considerada uma condição distinta, mas em 2013 na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-V, a síndrome foi incorporada aos transtornos do espectro autista, de grau leve. Os portadores da Síndrome de Asperger não apresentam comprometimento intelectual, o que acontece com aqueles que têm o autismo clássico.

Os principais sintomas da Síndrome de Asperger são:

- Interesse excessivo por um determinado assunto;
- Não olha nos olhos de outras pessoas;
- Pouca paciência;
- Interpretação literal das palavras e da linguagem;
- Comportamentos rotineiro;
- Dificuldade de entender a ironia;
- Muita dificuldade nos relacionamentos interpessoais;
- Q.I muito elevado, são considerado extremamente rudes.

Especialistas observaram que a incidência da síndrome é maior em homens do que mulheres.

Estudos realizados através do comportamento, levam a acreditar que a Síndrome de Asperger seja a mesma coisa que autismo de alto funcionamento, isto é, com inteligência preservada, ou que no autismo de alto funcionamento há atraso na aquisição da fala, e na Síndrome de Asperger, não. Esse comportamento muitas vezes traz uma avaliação equivocada, uma vez que matriculados na escola regular, alunos com Síndrome de Asperger não diagnosticados, devido as suas dificuldades e peculiaridades, são rotulados como pedantes, sem limites, desorganizados etc.    
   
(*) síndrome – s.f. (gr. Syndrome) Conjunto dos sintomas que caracterizam uma doença(**)

(**) doença – s.f. (lat. Dolentia, dor). Alteração da saúde que comporta um conjunto de caracteres definidos como causa, sinais, sintomas e evolução; mal, moléstia enfermidade.

Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa – Larousse Cultural   

No próximo texto abordaremos:

- Critérios para diagnósticos
- Tratamento



Referência Bibliográfica:


Mello, Ana Maria S. Ros de, Autismo: guia prático. 5 ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE 2007. 104p.: il.  

Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP.

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