Quando nasce um pai e uma mãe?


31 de mai de 2017


Quando nasce um pai e uma mãe?




A gestação normalmente é um momento muito especial na vida dos pais, uma espécie de consolidação do seu amor através de uma nova vida. O período da gestação é um momento de preparação dos pais para receber essa nova vida, o momento entre a concepção e o nascimento será uma reflexão da história dos pais e da nova etapa que estar por vir, mas em que momento se dá o nascimento do pai e de uma mãe?
Algumas mulheres apresentam o desejo de ser mãe ainda muito jovens, algumas desde sua infância, quando brincavam de boneca, para outras essa vontade só aflora um pouco mais tarde, depois de estudar, trabalhar, consolidar uma carreira e estar casada ou não, mas de repente o desejo desponta. Não importa quando ele aparece, mas assim que começamos a pensar em nos tornar mães algo muda.


O fato é que a gravidez nos traz um período de intensas mudanças físicas, psicológicas, onde começamos a vivenciar sentimentos diferentes, alguns muito bons, outros nem tanto, alternando entre altos e baixos. Em alguns momentos estamos totalmente felizes, já em outros com medo, assustadas com a responsabilidade de ser mães e com a falta de experiência no caso das mães de primeira viagem…
A questão é: Será que passamos a ser mães na concepção, na gravidez ou quando o bebê nasce?
Essa é uma resposta singular, já que algumas mulheres se tornam mães quando o desejo de ser começa, outras somente quando tem o tão sonhado positivo e algumas somente no nascimento do bebê. A experiência é única para cada uma.
Daí muitas mães me questionam, mas e o pai? A mãe sofre todas as mudanças em seu corpo, sente o bebê mexendo, vivencia de forma concreta essa gestação, enquanto ele, muitas vezes nem sequer é participante ativo desse período… Infelizmente essa ainda é uma realidade, o número de pais realmente participativos desde a gestação ainda é muito pequeno, apesar de crescente nos últimos anos, mas de fato o pai apenas acompanha e observa, sendo ele, de certa forma um “mero expectador”, nos questionamos quando é que nasce um pai?
A realidade é que na maioria dos homens esse sentimento só acontece após o nascimento e mesmo assim não é instantâneo, pois é impossível prever como será a reação do homem, até porque não se sabe como o bebê e o puerpério será… Normalmente o primeiro mês é relatado como muito difícil, pois é exaustivo, é necessário cuidar do bebê 24 h por dia, um ser completamente dependente, além da recuperação do parto, privação do sono e hormônios a flor da pele… Um quadro digno de enlouquecer até a mais zen das mulheres, agora,  imagine o homem nesta situação… Pois é, é nesse cenário complicadíssimo que o homem acaba caindo de paraquedas e de cara com um sentimento de incapacidade, diante de tudo que esta acontecendo… Ele não pode amamentar, mas teoricamente poderia fazer todo o resto. Uma das maiores ajuda que ele poderia dar é o cuidado com a esposa, que na maior parte das vezes ficam tão fragilizadas quanto o bebê.
Um pai que cuida do entorno para que a mãe possa se dedicar ao bebê, já é de grande ajuda. Outra ideia é que os cuidados com o bebê sejam divididos entre os dois, na medida do possível. Espera-se que a mãe tenha um maior domínio sobre os cuidados com um bebê, mas basta alguns relatos para perceber que os cuidados em maior parte das vezes são uma tentativa e erro, então porque não dar espaço para que o pai aprenda junto com você? Pois também não é raro pais que acabam se distanciando devido a não ter esse “instinto” e por insegurança das mães em deixarem que eles pelo menos tentem adquiri-lo, acabam sem querer inibindo os pais.
O único problema é que para alguns isso parece demorar um pouco mais que algumas semanas e continuam a viver como se nada tivesse mudado, deixando as esposas se sentindo completamente abandonadas quando na realidade a vida dos dois nunca mais será a mesma… Diante disso, acredito que a comunicação é a melhor maneira de tentar resolver esse atrito, que ter um filho é responsabilidade de ambos e que sendo assim o papel de mãe e de pai, não é opcional, trata-se de um compromisso selado.

Portanto queridos papais e mamães, tentem se colocar no lugar do parceiro, dar espaço para o diálogo, afim de que este vínculo e cumplicidade surjam da melhor maneira possível!






Sou Willa Marques, mais conhecida como Psimaterna, psicóloga de formação e mãe por paixão! Psicoterapeuta cognitivo comportamental, especialista em psicologia da maternidade, blogueira por hobby,  mas o meu melhor papel é ser Mãe do Eric!

2 comentários:

  1. Ótimo post, muitas vezes os pais ficam mais afastados até pó e culpa nossa né, que acabamos tomando a frente se tudo

    Bjs Mi Gobbato

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  2. Ótima abordagem...
    Nasci com meu primeiro filho, embora ser pai fosse meu maior sonho...
    A abertura da mamãe para acolher meu jeito desengonçado favoreceu minha participação mais ativa na vida dos pequenos, o que foi benéfico a todos. Ainda há muito feminismo neste processo, que trava o homem que se dispõe a ajudar.

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