Desenvolvimento Cognitivo e seus estágios


11 de mai de 2017


Hoje a Chris vai analisar o desenvolvimento cognitivo das crianças e seus estágios.
Venham conferir.

Desenvolvimento Cognitivo e seus estágios



Desenvolvimento Cognitivo e seus estágios


Após analisar como é o processo de desenvolvimento emocional da criança, analisaremos seu desenvolvimento cognitivo através dos estudos de Piaget. 

       Piaget propôs o método da observação para a educação da criança, que explicasse como ela organiza o real. Criticou a escola tradicional que ensinava a copiar e não a pensar, de forma que, para obter bons resultados, o professor deveria respeitar as leis e as etapas do desenvolvimento da criança. O objetivo da educação não deveria ser repetir ou conservar verdades acabadas, mas aprender por si próprio a conquista do verdadeiro. GADOTI, 2004.

      Assim, foram criados quatro estágios de desenvolvimento infantil:

Sensório Motor (0-2 anos): 


Fase inicial do desenvolvimento da vida, caracterizada como pré-verbal, constituída pela organização reflexiva e pela inteligência prática, aonde a criança baseia-se em esquemas motores para resolver seus problemas, que são essencialmente práticos. Durante esta fase os bebês começam a desenvolver símbolos mentais e utilizar palavras, um processo conhecido como simbolização. O bebê relaciona tudo ao seu próprio corpo como se fosse o centro do mundo. Além disso, a criança vive o momento presente sendo incapaz de referir-se ao futuro, ou evocar o passado.



Pré-operatório (2-7 anos):


Esta é a fase que mais teve atenção de Piaget, pois é caracterizada pela explosão linguística e a utilização de símbolos. Dada a esta a capacidade da linguagem, os esquemas de ação são interiorizados (esquemas representativos ou simbólicos), predominando o lúdico. Prevalece nesta fase a transdução, modelo primitivo de raciocínio, que se orienta de particular para particular.

A partir dos quatro anos o tipo dominante de raciocínio é o denominado intuição, fundamentado na percepção, pois a criança ainda não é capaz de lidar com dilemas morais, embora possua senso de bom ou mal. Tem a si mesma como ponto de referência, não sendo possível, ainda, analisar vários aspectos de uma dada situação.

Nesta fase, observa-se um comportamento egocêntrico, tendo a criança um papel limitado e rígido.  Esse egocentrismo traz algumas manifestações características:

Pensamento Animista 

Tendência de atribuir características psicológicas, como sentimentos ou intenções a eventos e objetos físicos.

Antropomorfismo 

Que é a atribuição de uma forma humana a objetos ou animais (nuvens como grandes rostos, por exemplo).

Artificialismo 

Que atribui uma origem artesanal humana a todas as coisas (a montanha foi esculpida por um homem muito grande).

Finalismo 

Que é a tendência egocêntrica na qual a criança acha que todos os objetos tem a finalidade de servi-la.
A consequência do egocentrismo é que a criança apresenta uma incapacidade de colocar seu próprio ponto de vista como igual aos demais, e assim, desconhecendo a opinião alheia,  não sente necessidade de justificar seus raciocínios perante outros.
Aparece então, a incapacidade de descentração, aonde a criança fixa apenas em um aspecto particular da realidade, geralmente o dela.

Operatório concreto (7-11 anos)

Recebe este nome, afinal, aqui a criança já age sobre o mundo concreto, real e visível. Surge o declínio do egocentrismo, sendo substituído pelo pensamento operatório (envolvendo vasta gama de informações externas à criança). O indivíduo pode, desde já, ver as coisas a partir da perspectiva dos outros.

Surge então, os processos de pensamento lógico, limitados, sendo capazes de serializar, ordenar e agrupar coisas em classes, com base em características comuns, assim, como a capacidade de conservação e reversibilidade através da observação real (o pensamento da criança ainda é de natureza concreta).

      O pensamento operatório é denominado concreto, pois a criança somente pensa corretamente se os exemplos ou materiais que ela utiliza para apoiar o pensamento existem mesmo e podem ser observados. Ela ainda não consegue pensar abstratamente, tendo como base proposições e enunciados. Com o desenvolvimento destas habilidades, aparecem os esquemas conceituais, onde a criança começa a desenvolver um senso moral, juntamente com um código de valores.

Operatório formal (12 anos em diante):

Nesta fase, a característica essencial é a distinção entre o real e o possível, onde o jovem se torna capaz de raciocinar logicamente, mesmo se o conteúdo do seu raciocínio for falso. Surge aqui, a determinação da realidade tendo como base o caráter hipotético-dedutivo, representando a última aquisição mental quando o adolescente se liberta do concreto. Assim, o jovem é capaz de pensar abstratamente e compreender o conceito de probabilidade.

Aqui temos o aparecimento da reversibilidade e sua explicação mediante inversão ou negação e comparada à reciprocidade de relações.

      Após, a compreensão e o entendimento, de como a criança se desenvolve, ainda devemos sempre levar em consideração que o indivíduo é um ser biopsicosocial, ou seja, influenciado pelo meio ao qual vive, de forma que, se o seu desenvolvimento cognitivo ou emocional esta acontecendo de forma inadequada a resposta também pode estar na família ou no circulo social. Por isso, vale observar a criança e/ou o jovem com um olhar não só de quem quer resolver "problemas de comportamento’, mas de quem quer e precisa entender "o que esta acontecendo” com ela.
    

REFERÊNCIAS:
PIAGET, Jean. Epistemologia Genética: tradução Álvaro Cabral, 4ª edição – São Paulo. Editora WMF Martins Fontes, 2012.

GOULART, Iris Barbosa. Piaget Experiências básicas para a utilização pelo professor- Petrópolis. Editora Vozes 1983.


GADOTI, Moacir. História das Idéias Pedagógicas- Editora Ática, 8ª edição 2004 .



Christiane Junqueira, psicóloga, especialista em Psicologia Hospitalar pela FMABC – Faculdade de Medicina do ABC, Neuropsicologia pelo INESP – Instituto Neurológico de São Paulo e aprimoramento em Reabilitação Cognitiva também pelo INESP.

Deixem seus comentários.




2 comentários:

  1. Amei a postagem, tenho interesse particular (trigêmeas em casa) que estão total na fase da explosão linguística!

    ResponderExcluir
  2. Se todos os papais tivessem a oportunidade de conhecer de fato seus filhos, o nadar seria a favor da maré. Ótimas informações. E Piaget é ídolo!

    ResponderExcluir